PALAVRAS AO VENTO


O "esperar"
27.março.2005

Não há como negar que estamos sempre esperando algo de alguém... Que alguém sempre espera algo de nós. E que este “algo” varia de cotidianos afazeres às tempestades emocionais. Às vezes, esta espera, não, este “esperar” nos aprisiona e, neste momento, nos tornamos sobreviventes e não viventes.

Confesso que sou cética em relação a este esperar. Temo, assumidamente, o que esperam de mim. Gostaria de, de vez em quando, ser capaz de suprir o esperar alheio. Mas é difícil lidar com o que esperam de nós, principalmente por ser este esperar um exercício de mistificação de sentimentos e fatos.

Uma amiga esperou de mim que aliviasse a solidão que sentia, apesar da presença do marido e dos filhos. E eu me esforcei, não por acreditar ser possível tapar esse buraco, mas por saber que se ela tentasse, poderia alcançar a si mesma e clarear as idéias; descobrir o que a faria mais completa, feliz até. Mas não fiz o que ela esperava... Ao invés de encontrar uma explicação plausível para o vazio que ela sentia, preenchi este vazio com questionamentos; incitei-a a sentir a necessidade de se movimentar e promover mudanças; fiz com que ela provasse o gosto de ser pensante e atuante na busca dos seus desejos e no enfrentar seus próprios medos. E ela se afastou. Cortou nossa amizade pela raiz. Perdi uma boa amiga porque ela esperava algo de mim que eu jamais poderia lhe dar, até mesmo por desacreditar completamente do que ela queria.

Também já fui engrenagem deste esperar. Também desejei que lessem minha alma, adivinhassem minhas angústias e as exterminassem. Esperei que fossem justos comigo, como sempre procurei ser nessa vida com qualquer pessoa. Esperei que me dessem as chances que sempre acreditei merecer; pelas quais tenho trabalhado. Porém, este esperar sempre foi o que de mais ilusório alimentei. E chega, sempre, o dia em que paramos de esperar que alguém modifique as nossas vidas e passamos a cultivar um esperar diferente... Um esperar enquanto resultado de movimentos nossos e não daqueles que nos cercam e nos quais depositamos todas as chances de dias melhores.

Obviamente, ainda estou à espera de muitas coisas vindas do outro. O olhar compreensivo, aquele que adverte, as palavras sábias, as conversas descontraídas, o aprendizado. Estou à espera do amor fraterno e do romântico, do poder admirar o outro e ser influenciado por ele... Porém, não espero mais que seja o outro a definir quem sou e o que penso. Não vivo mais do “esperar” desacompanhada de mim. E, talvez, um dia a amiga que perdi para este “esperar” compreenda a diferença que há entre observar e participar da vida. É o que desejo.

Carla Dias



Escrito por Kyra às 11h36
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Vou derreter em sua boca,

Como um bom chocolate.

Posso ser doce,

Meio amargo,

Picante se for com pimenta,

Recheada de surpresas.

Venha sentir minhas delícias,

Me fazer gemer baixinho

E quando estiver saciado de minhas

Várias nuances de sabor

Deixarei em sua lembrança

O gostinho de quero mais!



Escrito por Kyra às 01h26
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Este desconhecido,

Mexeu com minha alma.

Acordou a paixão adormecida,

Acendeu o fogo, que julguei apagado.

Descontrolou o que era controlado.

Inundou-me de quereres,

sonhar com o por do sol.

Quero me desmontar

Entregar-me aos desejos

Despentear seus cabelos

Perder-me em seus braços

Incendiar minha alma

Ser tua.

 



Escrito por Kyra às 19h52
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Você derrapa em minhas curvas,

Se perde no brilho dos meus olhos.

Eu quero você corsário a perseguir meus segredos

Você fica a espera do meu chamado,

Eu não quero te chamar, quero ser possuída pelo seu desejo.

As palavras mais uma vez, matam o desejo.



Escrito por Kyra às 21h55
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Escultura de Palavras
07.março.2005

"Hay cosas que te ayudan a vivir.
No hacias otra cosa que escribir."

(Fito Paez)

Onde estão as palavras? Parece que se esconderam dentro de casa. Estão guardadas, acobertadas, com medo do frio, mesmo que suem um pouco por baixo da colcha.

Existem palavras de prosa e palavras de poesia. As palavras de poesia estão soltas, se entregam a encontros com melodia. Com melodia, as palavras ficam mais exatas. Às vezes, mais pobres ficam as palavras. São tão poucas as palavras de poesia: ou acertam no alvo ou se perdem na areia.

Há palavras para os outros e palavras nossas. Nem sempre se casam as nossas palavras com aquelas que vão para os outros. Um poema de amor para quem não merece. Uma ironia a quem logo esquece. Querer tocar no outro a corda da emoção, e nunca acertar palavra.

Palavras antes das palavras. Antes de se fazer carne, o verbo era lágrimas? As mesmas palavras em outra voz despertam coisas tão desafins. Cantar, dizer, escrever... Que meios de expressão escolhem as palavras?

A palavra "casa" é um desamparo para quem descasa. E a palavra "amor" perde a leveza na pessoa não amada. Se canta, se chora, se grita, se cala. Palavra sulca a terra dolorida da calma.

Os sentimentos têm palavras ou são apenas etiquetas que lhes pegamos à água? O verbo se fez carne, e a carne se fez lágrimas. Que dor é não saber a próxima palavra, gesto, canto, fala.

Escrever sem ter história pra contar. Escrever como quem bota o dedo na garganta para provocar.

Mulheres que sonham com um homem. Mulheres que vêm em seus olhos movimentos de dança. E mulheres que são só ser amadas e distância. Querer a mãe, e querer ser a própria mãe. Querer acordar sem desejar nada além do desejo realizado de acordar. Querer acordar sem saber os limites entre o próprio corpo e o da pessoa amada. E tecer as palavras com as pontas dos dedos. Escrever com o invisível orvalho da pele na pele do outro. Suar o suor de ter fogo queimando e desacobertando as palavras "bom-dia", "te amo", "vem me amar sem palavras".

Olhar para o céu e assistir os astros no exercício de sua gramática. Prosa poética que preenche tanto quanto falta. E o mundo continua, pessoas que passam enquanto se medita de olhos fechados na beira da água salgada. Ouvir um rumor de papéis de seda de raia, e a voz de quem vê budas de praia.

Esculpir a si mesmo com palavras. Fazer-se do barro, da lama, dos sussuros, dos fonemas mais básicos. Dar-se um corpo, dar-se sentimentos, dar-se pensamentos, dar-se alma.

E quando silenciar não ser por falta de palavras.

Eduardo Loureiro Jr.



Escrito por Kyra às 12h36
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Não quero um rótulo,

quero sentir,

quero momentos únicos,

quero desejo puro,

dispenso as frases feitas e os desejos medíocres.

Te quero bicho homem, cio,

Desejo intenso, imaginação

Pele com pele, arrepio,

Bocas vorazes,

Mãos ávidas,

Pernas enroscadas,

seu sexo rijo, eu líquida

Gozo a dois.

 

 



Escrito por Kyra às 19h52
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Porquê hoje é considerado o Dia Internacional da Mulher?

O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto. Caminhavam com o slogan "Pão e Rosas", em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.

Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

Hoje é o dia para lembrarmos de todas as mulheres incríveis que fizeram história, ousaram ser e sentir, fugindo de padrões impostos pela sociedade, mulheres que lutaram por seus ideais. E que a única reivindicação que fizeram, foi a de serem consideradas humanas, com todas as necessidades que os homens tem.

 

Não queremos ser mais fortes fisicamente, queremos ter o direito de sustentarmos nossas famílias com dignidade, de estarmos ao lado de homens que nos respeitem, crescer juntos, evoluir como pessoas e fazer do mundo um lugar melhor de se viver. E com muito respeito pelas diferenças, que fazem de nós mulheres e dos homens seres que se completam.

 



Escrito por Kyra às 17h03
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