PALAVRAS AO VENTO


 

Nem tudo que é bom é conveniente

Conveniente, eu odeio esta palavra.

Sempre fugi de situações que fossem convenientes, não quero ser conveniente e não permito que ninguém fique na minha vida por conveniência.

Sou responsável por muitas das coisas que aconteceram comigo, quando eu erro, erro muito.

Estou assumindo minha parte, não posso dizer para as pessoas o que é certo ou errado, posso aplicar meus julgamentos no que se referem apenas a minha pessoa e vida. Este ano foi de grande aprendizado para mim, descobri que não posso dar 100% da minha confiança para as pessoas, ninguém dá valor para o que tem de graça, é preciso que elas lutem por cada espaço em nossas vidas para dar valor ao que conquistaram. Então a partir de agora é assim que será, vão começar do zero e terão que conquistar minha confiança.

Eu sei o que não quero para minha vida, não quero falsidade, mentiras e nem viver de ilusão. Tudo que eu tenho, realmente é MEU. Posso até perder algumas coisas e pessoas, mas tudo tem começo, meio e fim. Esta é a melhor maneira de viver a vida plenamente segundo minha concepção.

A minha liberdade é a coisa mais importante do mundo, e eu conquisto a minha liberdade fazendo o que considero certo. Não quero ninguém amarrado na minha vida por conveniência, porque é mais fácil, por isso irei embora e deixarei para trás muitas coisas e pessoas que amo, porque só o amor não basta, sou ambiciosa.

Me tira o tesão fazer coisas escondidas, gosto da liberdade de dizer o que penso, fazer o que gosto e não estou nem aí para a censura das pessoas, se quiser beijar alguém na rua eu beijo e pronto. Se quiser ir para a cama com alguém por sexo, paixão ou amor, quero ir sem me preocupar se alguém vai ver, falar ou emitir alguma opinião. E sacanagem eu só gosto de fazer na cama, de preferência com alguém bem gostoso, porque a vida já é bem dura sem ninguém te sacaneando.

Gosto de assumir as pessoas na minha vida e de ser assumida também, gosto de ter nome, endereço e ser mais do que uma fantasia ou conveniente para o ego de alguém.  Mas eu sou uma pessoa nova, livre, desimpedida, bonita e inteligente, mereço e posso ter mais do que isso na minha vida, e vou ter, nem que seja por um momento ou uma noite. Mas será de verdade, com a pessoa olhando em meus olhos, me tocando e sendo tocado, com nome verdadeiro, com tesão verdadeiro e sentido na pele.

A grande maioria que ler este desabafo não vai entender o que estou querendo dizer, mas outras entenderão muito bem o que estou querendo dizer e não quero que se sintam ofendidas, é apenas a maneira como eu vivo e quero continuar vivendo, não é lição de moral nem nada. Cada um sabe os verdadeiros motivos por trás de cada ato que comete.

Ficarei um tempo sem postar neste blog, talvez não poste mais. Isto estou deixando em aberto, mas estou inaugurando uma nova fase, as coisas não podem ser iguais o tempo todo.

Mas quero me apresentar a vocês que sempre vieram aqui e deixaram suas mensagens carinhosas, sempre as vi como PESSOAS e não apenas textos jogados no mundo virtual. Li muitas entrelinhas, compartilhei momentos alegres, tristes, assim como vocês fizeram com as coisas que escrevi e textos que coloquei quando minhas palavras silenciavam pela intensidade do que eu estava sentindo.

Não me chamo Idana ou Kyra.

Meu nome é Ana, tenho 37 anos, moro em São Paulo, analista de sistemas, trabalho com organização de congressos, signo de peixes com muito orgulho, faço aniversário dia 25 de fevereiro e tenho ascendente em áries, que me torna uma lutadora e me dá forças para demolir os obstáculos que encontro em meu caminho, sou brava, falo o que penso, discuto até cansar para entender as coisas, sou meio grossa muitas vezes, mas sou extremamente leal com as pessoas que eu gosto ou amo.

Minha disposição no momento é a seguinte, olhar para as pessoas que estão perto de mim, ser amiga para rir ou chorar. Olhar nos olhos, sentir o cheiro, tocar e ser tocada. Conforme as pessoas estejam dispostas a me aceitar na vida delas. Pretendo me divertir e trabalhar muito e me tornar uma pessoa melhor todos os dias, porque a vida não tem sentido se for simplesmente para usar a desculpa de que sou fraca e portanto faço as coisas sem pensar ou por puro instinto apenas. Esta desculpa é muito fraca para mim, não me basta.

Os amigos que fiz aqui, eu pretendo manter e adorei cada conversa, cada risada e os momentos compartilhados. Como a maioria é de fora de São Paulo, manteremos contato pelo msn. E pretendo um dia visitá-los e que me visitem se vierem á São Paulo.

Meu obrigado de coração por vocês existirem e pelos momentos compartilhados.

Meu beijo carinhoso em cada um de vocês.

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Drummond



Escrito por Kyra às 20h27
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Faz de conta

 Faz de conta que ela era uma princesa azul pelo crepúsculo que viria, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que sangue escarlate não estava em silêncio branco escorrendo e que ela não estivesse pálida de morte, estava pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz-de-conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz-de-conta verde cintilante de olhos que vêem, faz de conta que ela amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que se descontraíra o peito e a luz dourada a guiava pela floresta de açudes e tranqüilidade, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando..

 Clarice Lispector



Escrito por Kyra às 22h21
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Estranho destino

Eles se conheceram no aniversário de um amigo em comum e estavam naquele papo de nomes estranhos:

— Wanslívia.

— Telesforo.

— Zicomengo.

— Ah, não! Esse eu não engulo. Você está inventando.

— Juro! É irmão da Flamena.

— Então tá! Naída.

— Essa aí é velha: irmã da Navinda e da Navolta.

O repertório estava acabando. Mas eles não tinham outro assunto. Tentaram parar com a brincadeira dos nomes, mas o silêncio foi constrangedor. E eles simplesmente não queriam se desgrudar um do outro. Foi assim desde o começo da festa. Se os dois já não estivessem calejados de namorados apresentados por amigos em comum, seria amor à primeira vista.

A roda em que eles se conheceram já tinha se desfeito, ninguém na mesa agüentou aquela maratona de nomes estranhos. No início, todo mundo ria, achava engraçado. Depois, percebendo que, mais do que uma brincadeira, era uma espécie de código secreto entre os dois, algum tipo de corte sexual mais estranha do que os próprios nomes que eles citavam, todo mundo foi se levantando e deixando os dois a sós.

Ele retomou a conversa, com uma novidade:

— Só de pessoas que a gente conhece, tá?

— Fechado! Zarlândia.

— Isso não é nome de gente, é nome de país.

— Amiga do tempo da escola. Quer que eu mostre minha caderneta de telefone?

— Não precisa. Vaterlu.

— Com "W" e dois "O"s no final? Não acredito.

— Não, com "V" e um único "U". É gerente do meu banco. Quer ver minha agenda eletrônica?

— Não precisa. Vou confiar.

— Tudo bem, na base da confiança. É a sua vez...

— Rúsivel.

— Roosevelt, o presidente americano?!

— Não, Rúsível, meu personal trainner.

Ele aproveitou a deixa e arriscou uma cantada:

— Ah, por isso você tem o corpo tão bonito.

Ela se esquivou, tímida:

— Sua vez...

— Adelina.

— Isso não é nome estranho, é até simpático.

— Minha mãe.

— E você acha o nome da sua mãe estranho, tão estranho quanto Zalboena, Rebostiana...?

— Não, só estava testando você.

— Adelina é um nome lindo... Umbelina.

— O quê?!

— Um-be-li-na.

— Eu entendi. Mas por que você disse esse nome?

— Não estamos brincando de nomes estranhos?

— Estamos.

— Então: Umbelina.

Ele, visivelmente constrangido:

— Umbelina é o nome que vou dar à minha primeira filha.

— Mentira.

— Por quê? Uma menina não pode se chamar Umbelina?

— Pode, claro, mas é que...

— Quer ver minha agenda eletrônica?

— Você tem o nome de uma filha que ainda não nasceu na sua agenda eletrônica?

— Tenho, sim. Está duvidando?

— Estou. Deixa eu ver.

Ele retirou a agenda do bolso, apertou algumas teclas e mostrou para ela. Na tela da agenda, estava escrito:

"UMBELINA PENTEADO
MINHA FILHINHA
085 - 2??-????"

Ela teve um acesso de choro. Incontrolável. Ele tentou consolá-la. Vários soluços, alguns minutos e um copo de água com açúcar depois, ela conseguiu falar:

— Isso é outro teste?

— Não. De jeito nenhum. É o nome que sempre quis dar para uma filha.

— Pois eu também.

Agora foi a vez dele ficar pasmo:

— Como você também?!

— Umbelina. Esse também vai ser o nome da minha primeira filha.

— Você está inventando tudo isso...

— Juro. Está na minha caderneta também. Aqui, ó...

Ela pegou a bolsa, abriu, tirou a caderneta, folheou até a letra U e mostrou para ele:

"UMBELINA, a filha que eu quero ter."

Os dois se abraçaram. Choraram no ombro um do outro. O destino os havia unido e não havia como negar sua mensagem. Eles foram feitos um para o outro. Estava escrito nas estrelas. Com letras maiúsculas, garrafais. Uma semana depois já estavam casados.

Mas, quando a filha nasceu, não tiveram coragem de colocar Umbelina. Botaram Ana Maria. Decidiram que ela não carregaria, junto com o nome, o peso de sempre realizar a expectativa dos pais.

A menina foi registrada como Ana Maria Rego Penteado. Isso mesmo, Rego Penteado. Fazer o quê? Eram os sobrenomes dos pais. Estranhos até que a morte os separe.

Eduardo Loureiro Jr.



Escrito por Kyra às 22h51
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Onde não se responde
13.dezembro.2002

Ele lhe perguntou o que fazia com o que sentia por ela. Guarda, ela respondeu, com a simplicidade de quem sabe que estas coisas, quando simplesmente existem, não precisam de um alojamento, um lugar, um espaço definido.

Guarda, ela lhe disse, na esperança de que ele levasse seu conselho ao pé da letra, esperando ganhar tempo pra encontrar o guardado mais tarde quando tudo fosse possível. Guarda, assim, como quem não quer nada, numa dobrinha da alma, num canto do quarto, como quem vai usar daqui um minuto, quando sair do banho, quando for à rua, na hora de dormir, quando amanhecer.

Guarda solto em cima da cômoda, à vista dos olhos, no meio de outras bugigangas e finge que ele nem toma tanto espaço. Ou Guarda na primeira gaveta, embrulhado em um papel de seda (daqueles que envolvem a maçã de Caetano), no fundo, longe dos olhos, e mesmo que você não abra a gaveta saberá que está lá. Mas quando e se você abrir a gaveta o perfume que vier lá do fundo vai invadir o quarto, a casa, devolvendo ao coração aquele sentimento de pertencer.

Guarda, ela lhe disse, tentando lhe dizer tudo isso, mas pronunciou apenas "guarda", como se uma única palavra pudesse produzir cenários perfeitos para guardar o que ele sentia por ela. Então, ele lhe perguntou "onde?" Depois de tudo que ela tinha lhe dito em uma palavra, que significava entrega, um sim, um "eu acredito", ele lhe fazia uma nova pergunta, leviana e inconsequente.

Onde? E ela, sem querer saber de pedir, sem querer entender de sofrer, sem querer explicar que o que ela sentia estava guardado, intenso, represado e inflamável, respondeu simplesmente: se não tem espaço, joga fora. Nessa hora lembrou de Leminski. "Coração / pra cima / escrito em baixo / frágil". Mas ele já tinha se ido e jogado tudo fora.

Claudia Letti



Escrito por Kyra às 17h46
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"Há dois tipos de pessoas:
  As que fazem as coisas e as que ficam com os louros.
Procure ficar no primeiro grupo.
 Há menos competição lá."

 Indira Ghandi - Estadista

"Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores."

Cora Coralina Poetisa

"Se você já foi ousada,  não permita que a amansem."
 Isadora Duncan Bailarina

"O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça."

Coco Chanel Estilista

"A idade não protege contra o amor.
    Mas o amor, na medida certa, protege contra a idade."
Jeanne Moreau Atriz

"Prazer não é não ter nada para fazer, é ter muito e não fazer nada."

   Martha Haston Escritora

"Mentes criativas são conhecidas  por resistir a todo tipo de  maus tratos."

Anna Freud Psicanalista

"Minha receita para a vida é  nunca ter medo de mim mesma, medo do que penso ou das minhas opiniões."

Eartha Kitt Cantora

"Se você obedece todas as regras, perde toda a diversão."
Katherine Hepburn Atriz

"Não acreditamos em reumatismo, nem em amor verdadeiro, até o primeiro ataque."

Maria von Ebner-Eschenbach -Escritora

"Você não pode escolher como vai morrer ou quando.
 Você só pode decidir como vai viver agora."
   Joan Baez - Cantora

"Quebro a cara toda hora.
Mas só me arrependo do que deixei de fazer por preconceito, problema ou neurose"

Leila Diniz - Atriz



Escrito por Kyra às 02h57
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Como explicar tantas coisas?
[Essa crônica foi escrita com português de Portugal.]

A amargura é um veneno. És uma mulher que tem grandes vitórias e grandes derrotas, mas nunca fugiste a uma batalha. Acho que essa amargura chega num momento em que escolheste não viver mais e deixas-te envenenar pela tua passividade. E não viver mais é quando desistes de lutar. E essa não é a Helena que eu parti à procura.
(Pedro Pinto)
Escrevi um enorme texto mentalmente e até fiz "copy" de algumas partes para um outro texto que comecei a escrever também. Claro que tudo isto apenas aconteceu na minha cabeça. Ainda pensei anotar algumas idéias para não me esquecer, num bloquinho que tenho ao lado da cama para anotar estas coisas de que sempre me esqueço de anotar e depois se perdem no infinito da mente e não voltam mais. E agora estou aqui, sem fazer idéia do que escrever porque tudo se esvaiu esta noite em cascata e ninguém reteve nada.
E depois, que fazer? Há coisas irremediavelmente perdidas. E como explicar isso sem vestir o papel de vítima e fazer toda a gente imaginar mil e uma coisas feias de mim? Se tudo já se perde em mim há tantos anos e já nada fica o tempo suficiente para criar raízes, porque o espanto? E a dor?
Tenho frio.
Há algum tempo atrás foi quando se iniciou o processo do rapto. E começaram a roubar esta Lena, aos poucos, que nem o nascimento do bebé veio quebrar. Enfim, era inevitável, talvez. Por me ter tornado uma pedra no caminho para algumas pessoas. Era preciso afastar a pedra. E, irremediavelmente, afastou-se a pedra e pronto. Deixemo-nos de metáforas, não é?
Tudo morre e tudo passa.
Eu quero esta Lena de volta e como fazer para trazê-la de volta?
Eu tenho saudades de quando me diziam que eu tinha os olhos bonitos, ou o sorriso lindo, que arrasava, ou era a menina de alguém. Já ninguém me diz essas coisas há muito tempo... Não precisam amar-me. Basta gostarem de mim assim…
Mas é urgente o amor. Sempre a espreitar... porque é preciso.
Isto já não está a fazer grande sentido, pois não? Este inferno que não acaba nunca. E nem foram eles que o começaram. Não é culpa deles sequer.
Mas está quase. Estou quase, quase, a conseguir… Não sei o quê, mas a mágoa com que sinto isso deve ser qualquer coisa má. Que me dói fundo. Fico no ódio ou parto com ódio? Ou será amor? Afinal o ódio e o amor não se tocam? Qualquer das decisões vai me magoar. E agora? Como explicar isso? Não há nada para explicar.
"Tu vais encontrar outras pessoas que aos poucos vão ocupar o lugar deles. És uma boa miúda. E estás sempre bem disposta e alegre e na brincadeira. E sabes ser amiga. Sabes estar como ninguém. E isso é bom." Alguém aqui saberá o que é perder anos de vida, uma história de amigos de adolescência? Onde e com quem aprendi a ser irredutível, intransigente, obcecada, lutadora… Que raio de despedida é esta para quem já tinha uma vida planeada? E isso custa-me tanto... dói, dói, dói...
Estas coisas entristecem-me. Mas há tantas outras coisas que também me entristecem e têm de ser assim. Vou dizer o quê? Abrir o jogo? Não posso fazer isso...
Como é que eu faço para explicar tantas coisas? Depois dele morrer havia um tempo em que eu contava os dias que passava sem pensar em morrer. Hoje conto os dias que passam, que simplesmente passam. Acordo e penso "Mais um". "Este já passou por mim". E às vezes ainda tenho tempo de pensar "Será que hoje também vai passar?". Geralmente passa. Custa muito mas passa. E passava melhor porque àquela hora no final da noite ele ia lá estar aquela hora e isso já enchia o meu dia todo. E o dia todo era vivido em função disso. Porque é das poucas coisas que ainda me prendiam à vida. Mas estou a estragar tudo. A deitar tudo fora. Alguém me disse na altura "A tristeza pegou-o na altura errada da vida dele". Sim, e? E a mim? Porque não pega?
Sim, sim, podem fechar a boquinha. Eu enlouqueci mesmo. Acho que é óbvio, não?
É um problema meu, eu sei. Esta mania de querer proteger toda a gente às vezes é difícil. E acompanhada desta mania que eu tenho 150 braços p'ra poder dar um a toda a gente também tinha de dar para o torto, porque depois ou perco os braços todos ou fica alguém a chuchar no "braço" porque não há braços que cheguem. E esta minha mania é que está a destruir tudo.
Como é que eu vou dizer tantas coisas? E destruir o meu mundo? Depois do que sei dele? Sei que encontrar alguém que me queira conhecer a 100% é como encontrar uma agulha num palheiro. E deitar por terra algumas realidades que são minhas e que me fazem viver. O melhor é continuar caladinha e não dizer nada, não é? Pois é, mas é isso que estar a dar cabo do resto.
Que é que eu faço? Eu quero voltar. Juro que quero. Não sei para onde, mas quero. Quero andar, andar, andar até encontrar o caminho para casa. Dizem que é aí que se encontra a paz de espírito.
Tenho tantas saudades de alguém. E minhas com esse alguém.
Já vos disse, não quero que me amem. Não só porque é óbvio que não me amam nem vão amar mas só porque sim. Por uma questão de orgulho, talvez. Que é outra coisa que as pessoas acham que eu não tenho. É como no filme "Lolita", com o Jeremy Irons. Quando ao fim de dois ou três anos eles se reencontram e ele continua a amá-la e ela nem por isso e ele descobre que ela está grávida do outro com quem fugiu e cheia de dívidas e oferece-lhe o dinheiro todo que ela precisa. E pede-lhe para ela voltar para ele mas diz-lhe que a ajuda mesmo que ela não queira voltar. E ela fica de lágrimas nos olhos e aproxima-se para abraçá-lo e ele assume uma posição de defesa e diz:"Don't touch me. If you touch me, I die.". E agora talvez seja isso mesmo. Se alguém me ousasse tocar, eu morria. Por isso é bom assim.
Tenho pensado muito nele. Sinto mais falta dele do que quando ele morreu. De repente acho que morri com ele e só agora, passado estes anos é que dei conta que o meu corpo deambula pela terra, mas a alma perdeu-se algures.
Acham que deviam saber estas coisas? Eu gosto muito de vocês.
Tenho saudades de mim. Como naquele poema do Mário de Sá-Carneiro "Perdi-me em mim porque eu era labirinto e hoje quando me procuro é com saudades de mim." Ou mesmo Vergilio Ferreira: "Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras."
Não é bem assim pois não?
Helena Thadeu

 



Escrito por Kyra às 20h32
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Consistência - Márcia Cardoso

Deixa que minha ira
Seja a mais feroz
E a mais selvagem!
Que te abomine
E te espante,
Que transborde pelos olhos,
Que segregue pelos poros,
E faça tremer o corpo,
E faça tramar revanches,
E se desfaça por si.

Deixa que minha ira
Seja sincera...

Deixa que minha paz
Traduza-se em tons pastéis,
E saiba ser mansa,
De preguiça crepuscular.

Deixa que me sele nos olhos
A placidez de calmas imagens,
E flutue no silêncio
Das horas sem pressa.

Deixa que minha paz
Seja sincera...

Deixa que minha angústia
Faça sombras e escureça,
Que seja a mais amarga e lúgubre,
Que fulmine,
Extermine,
E, contudo,
A mim não mate,
Para não haver
O benefício do repouso.

Deixa que minha angústia
Seja sincera...

Deixa minha alegria
Ser sonora, estrepitosa,
Piegas e quase vulgar.
Que abuse de risos
E esqueça de cérebros.
Que faça barulho
E se vista de festa,

Deixa minha alegria
Pensar ser eterna.
E cante, dance, lateje,
Sem resistências.

Deixa que minha alegria
Seja sincera..

Deixa que minha loucura
Ameace a ordem pública,
E possa transcender e transgredir,
E possa te agradar e te agredir,
Espantar, apontar, desapontar.
Despontar de repente,
Em disritmia,
Súbita contradição
De medida e de paixão.

Deixa que fale em superlativos
E pinte cores berrantes.

Deixa que minha loucura
Seja sincera...

E o amor,
Deixa que se cale,
Para que não deixe de ser
Sincero...

Poesia retirada do blog Círculo Vicioso - http://circulovicioso.blig.ig.com.br/



Escrito por Kyra às 19h28
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Fui vampirizada esta madrugada. E estou completamente sem energias e me sentindo desequilibrada. Alternando entre ira, choro, tristeza e sentindo um aperto no peito.

Acho que isso deve acontecer muitas vezes e nem percebemos. Já pararam para pensar em quantas pessoas você gosta e que por mais que você pense, não consegue entender porque não consegue ficar muito tempo com aquela pessoa e sempre fica com uma sensação de extremo cansaço quando está com ela. Isso se chama vampirismo.

Em uma relação normal, você troca energia com as pessoas e é realmente uma troca. Você se sente leve, bem e a outra pessoa também.

Exatamente as 4:15 da manhã, toca meu telefone. Eu atendi o telefone e aquela voz já tão conhecida, começa a querer conversar, dizendo que fazia 2 noites que não dormia pensando em mim. Confesso que não dei muita atenção e tentei cortar a conversa o mais rápido possível, mas o estrago parece ter sido instantâneo. Comecei a me sentir mal fisicamente, ele insistindo que querer saber como eu estava, o que andava fazendo. Eu disse que não tinha nada para falar, não quero mais que ele saiba nada da minha vida. Ele é uma pessoa nociva, daquelas que parecem atenciosas, mas que no fundo está pouco interessado no que você sente realmente. Só quer saber de satisfazer as próprias necessidades. E não se preocupa com o que vai acontecer, quais serão as conseqüências dos atos dele na vida das pessoas, fora o fato de ter descoberto que ele é um mentiroso compulsivo.

Enquanto estivemos em contato mais direto, aconteciam coisas engraçadas, ainda acontecem com menos intensidade, mas acontecem.

Por exemplo, eu sempre sabia quando alguma coisa acontecia com ele, ou ele me mandar um e-mail 4:00 horas da manhã e eu acordar no mesmo horário e vir para o computador e ver que tinha uma mensagem dele. Isto aconteceu muitas e muitas vezes. E o mais engraçado que achei da conversa esta madrugada, foi ele me perguntar se eu tinha sentido alguma coisa, como acontecia antes. Senti. Mas não respondi a pergunta.

Não quero mais que ele perceba que ainda existe a ligação e quanto mais longe nós ficamos, melhor eu me sinto espiritualmente.

Mas de alguma maneira ele me desestabilizou hoje e fiquei horas rolando na cama, me sentindo mal e sem conseguir dormir. Aposto como ele conseguiu dormir e está se sentindo bem.

E minha conclusão é que vampiros existem e são bem reais.



Escrito por Kyra às 18h32
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DIÁLOGO
Maria do Carmo Lobato

Você é uma mulher maldita,

Disse ele,

Acrescentando ainda mais:

Você é uma mulher

De cara lavada,

Porque não consegue esconder o que é

E o seu jogo

É justamente

Não fazer jogo algum.

 

E eu, cá,

Com meus botões, falei:

A maldição

Que você vê em mim

E a misteriosa fatalidade

De estar

Atravancada

Na tua trajetória cósmica,

De tal sorte que,

Cedo ou tarde,

Surjo no teu caminhar,

Como um estigma

No teu amar,

A cada ciclo vital

Que recomeças.


 Relendo esta poesia, comecei a sorrir. Porque travei um diálogo muito parecido com uma determinada pessoa. E sempre o irritava porque não fazia os joguinhos que ele estava acostumado.



Escrito por Kyra às 21h18
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O meu pedaço de ti
Maria do Carmo Lobato

Por que será
Que só consigo
Te ver muito mais
Da cintura
Para baixo?

Isso me deixa intrigada...

Será que é essa
A tua parte
Que me pertence mais
E que por isso mesmo

Me deixa as pernas trôpegas,
Quando a entrevejo
Nas minhas miragens
E nas minhas etéreas divagações?

Será que é essa
A tua parte que,
Sôfrega,
Me sacia exaustivamente,
Por alguns instantes,
Na sua sofreguidão
Benfazeja?

Será que é essa
A tua parte
Que me mata o desejo
E que por isso mesmo
É que, quando procuro
Te vislumbrar
Na mente,
Só consigo
Te ver mais nitidamente,
Da cintura para baixo?



Escrito por Kyra às 19h48
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Nua

Isabel Machado


Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...



Escrito por Kyra às 00h04
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Ganhar, perder, ganhar: o círculo vicioso do amor
18.junho.2004

Já falei, mil vezes talvez, sobre a dor de terminar um amor. Todo mundo sabe o quanto é ruim, o quanto machuca, como rasga a gente por dentro o frio da solidão, a tristeza pós-morte, enfim, o luto, a saudade e tudo mais.

Porém, todos sabemos também que ressuscitamos sempre, frente a um dia de sol que se abre inesperadamente. Só que disso ninguém fala. A alegria, quando vem, não causa o alarde que causa a tristeza, mas devia.

Recuperar-se de um amor é quase tão bom quanto amar de novo, de fato. Perceber que esqueceu, que não dói mais, que suas duas pernas lhe são suficientes, é motivo de comemoração em grande estilo. Acontece de um jeito estranho, a gente mal percebe.

Nos acostumamos com a dor e passamos os dias sentados no grande sofá que ela nos oferece. Sentimos, tantas vezes, que não temos força para levantar de lá e sermos felizes de novo.

Mas um dia — um dia qualquer —, sem explicação prévia, nos vemos felizes novamente.

Ai... Para mim é um prêmio não sentir mais aquela saudade, aquela angústia, aquele aperto, aquela dor...

De repente nos perguntamos: “O que foi que perdemos mesmo?” Sim, porque tudo o que ele tinha de bom alguém pode ter melhor — em outro formato, de outras cores, mas igualmente satisfatórios.

Só ele te dava flores? O outro vai te trazer bombons. Só ele te fazia rir? O outro vai te oferecer um ombro quando você chorar. Só ele te olhava daquele jeito? O outro vai te olhar por mais tempo. Só ele te compreendia? O outro vai te aceitar...

Todo mundo é bom dependendo de como se vê. E todo mundo é ruim também, quando anoitece...

Olhe para um antigo amor com olhos abertos, com dados de realidade. Talvez ele não fosse tão bom assim. Quem sabe as virtudes não eram essas enormes e, provavelmente, o que ele te oferecia não enchia a tua barriga.

Sarar é melhor do que amar. A completude na solidão pode ser tão boa quanto o preenchimento pelo outro. Enxergar, acreditem, é sempre melhor do que estar cega...

Tente viver esse prazer — o da cura.

Todos os dias, perceba uma coisa nova que te faz estar bem. “Ai, que bom que a gente terminou, que bom que ele não quis voltar, que bom que não cedeu aos meus lamentos, que bom que Deus não me atendeu...”

É como se te obrigassem a trocar de time e, claro, você não aceita. Porque o seu time era seu do coração, você sofria porque ele estava sempre na segunda divisão, mas você torcia.

E daí o mundo parece ruir quando você tem que se tornar Portuguesa... Até que a Portuguesa faz um gol, empata ali, ganha aqui, e você vê que o outro time está lá, em um lugar onde você não cabe, porque não te preenchia mais... É muito bom estar no lugar certo, caber nas situações em que a vida te impõe, de repente.

O processo de cura é fantástico, e o mais incrível dele é que, para acontecer, não depende de ninguém mais do que de você própria. É uma descoberta que faz o mundo lá fora parecer um lugar melhor, mas é uma descoberta que começa de dentro de você.

Como se fôssemos capazes de fazer chover ou de trazer o sol, somos responsáveis por ter um dia lindo ou um dia horrível. Somos responsáveis por sermos pessoas tristes e chatas, e por sermos fortes e belos. Tudo depende da forma como você vê, de como você escolhe se levantar do tal sofá fundo que era a tristeza.

Olhe lá fora. O mundo tem muito lixo, mas tem muita gente interessante também. Afinal de contas, você quer alguém de qual grupo para estar ao seu lado? E o grupo que você faz parte, pense bem, qual será?

Ana Coutinho



Escrito por Kyra às 02h46
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 36 a 45 anos



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