PALAVRAS AO VENTO


É interessante como as pessoas agem quando percebem que vc está passando por momentos críticos.

Ontem algumas feridas reabriram por conta disso, me afastei da pessoa que considerava ser minha melhor amiga. E várias pessoas se aproximaram dizendo querer ajudar e nos reaproximar. Mas o que tenho notado de mais engraçado é que na verdade elas querem informações, fazer o famoso leva e trás.

Ontem encontrei uma dessas pessoas que se aproveitou de um momento de fragilidade, ela disse barbaridades para esta pessoa que era minha amiga.

Não pude me conter e falei claramente o que achava de sua atitude e que ela tinha acabado pra mim, sempre fui considerada uma pessoa muito franca, que fala o que pensa, mas nunca tinha protagonizado uma cena dessas, parece até meio cômico quando lembro agora..rs

O mais incrível foi eu ter falado o que falei para esta pessoa e ela ainda veio dar um beijo de despedida, não sei se a louca sou eu ou as pessoas estão se tornando completamente insensíveis. Onde parece que traição de qualquer forma é uma coisa banal, vc trai os seus princípios e está tudo bem, vc rouba e está tudo bem, mata pessoas inocentes e o máximo é ver um olhar de pesar que desaparece imediatamente se alguma coisa nova surgir, afinal não é com vc mesmo, não é na sua pele que vc sente a dor.

Mas parece que eu, a pessoa que foi prejudicada é que tenho que justificar minhas atitudes ou o que disse ou deixei de dizer.

Do outro lado quando muito recebo mentiras ou o silêncio, ultimamente considero o silêncio melhor.

Isso tudo fez com que eu revivesse o porque deste afastamento e doeu muito, sinto que choro por dentro, meus olhos doem e não cai nenhuma lágrima. Fica apenas a tristeza de perceber que valia tão pouco para quem era tão importante pra mim.

Não adiantou pedir, implorar para que me falasse a verdade. Bati em uma muralha.

Mas como tudo tem um lado bom, de certa forma ela me fez um favor ao me trair como amiga. Estou muito mais calma e reencontrei o meu equilíbrio. Porque agora é tudo de verdade, não tem mais mentiras, consigo respirar, me sinto mais leve. Dizem que estou até mais bonita.

Por isso tudo apesar de me sentir triste por este engano, também me sinto feliz por todas as possibilidades que visualizo para o meu presente e futuro.


Quero fazer um agradecimento especial pelo carinho que tenho recebido de vcs, principalmente a Loba e a Srta.Butterfly que sempre tem uma palavra de carinho e conforto.

Vcs com certeza sabem o significado da palavra amizade, que não é só passar a mão na cabeça, de vez em quando tem também um puxão de orelha, certo Srta.Butterfly?...rs

Um beijo e um abraço carinhoso nas duas. 

                     



Escrito por Kyra às 20h39
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"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completo quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doido. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector

Como eu queria ter esta doçura de burrice que ela fala, é muito ruim quando vc enxerga a verdade e olham nos seus olhos, mentem e ainda vc é que passa por neurótica e louca.

Eu me calo, mas dentro de mim a verdade grita e as feridas se abrem.

Aos que lêem o meu blog, devo um pedido de desculpas por estar sempre reprisando os mesmos assuntos. Mas preciso colocar este veneno pra fora, parar cicatrizar as minhas feridas.

 



Escrito por Kyra às 23h05
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A QUEM SE MACHUCA 

Inimigos são duas pessoas pertinho uma da outra. Só que de costas. Há duas situações inimigas dentro do amor. Pertinho e uma de costas para outra. Ambas ameaçam dar certo e não dar certo.

Os anos me ensinaram que quando se ama, tanto se teme enfrentar a possibilidade de dar certo, cheia de prisões e tentáculos, como o risco de não dar certo e ficar rompida uma harmonia que poderia ter dado certo. E, se poderia, vai doer se não viver.

Ambas as situações convivem em quem ama. Porque "viver bem" não é dar certo.

Dar certo é ser capaz de prosseguir apesar do desacerto. "Viver mal" não é necessariamente dar errado. Dar errado é não poder prosseguir.

Composto de partes inimigas é o amor. Ele só se enriquece dos cansaços incapazes da destruição. Ele só vive do imperfeito de cada confronto. Ele só é, quando vive ameaçado de deixar de ser. Caso contrário não seria: simplesmente deixaria de ser.

Os inimigos são duas pessoas pertinho uma da outra, mas de costas, porque se virarem se encontrarão. E é isso o que temem. São mais unidos, talvez que amigos, um de frente para o outro, mas a metros ou quilômetros de distância e só por isso se entendem.

O medo de amar é o medo de estar perto demais, o que de certa forma escraviza. O engano de amor é estar longe, mas de frente, o que de certa forma atenua.

A coragem de amar é como a coragem de ser: é fazer os dois inimigos, de costas um para o outro, virarem-se de frente para sentir hálito, olho, medo, força, ternura, muita raiva e muito carinho e aceitar tudo, por isso amar.

A falsidade do amor é permanecer de frente como amigos: pura e simplesmente se aceitando. Sem contradita. Sem a oposição capaz de ser vencida pela permanência do sentimento, a despeito do eu de cada um.

O medo de quem ama é o medo da relação profunda. Porque é nela que está a entrega. E tão profunda que não rompe, apesar das tragédias da superfície. E a superfície só faz a tragédia, para impedir que o eu contemple de frente a relação profunda.

A relação profunda implica o que não se destrói apesar das diferenças de cada um.

Na relação profunda está o desamparo e a necessidade tão pura que nunca pôde vir à tona. Na relação superficial está a fantasia, o eu idealizado, a armadura enfeitada de cada um.

Se transares ao nível da armadura, serás feliz no começo, na fase hipnótica do amor.

Se transares ao nível profundo, talvez sejas até infeliz. Mas amarás. A infelicidade

pode fazer-te virar as costas para o inimigo que amas. Poderá separar-te dele. Mas mesmo assim não será maior que o amor adivinhado e sentido, se a relação é profunda.

Não te vires de frente para o inimigo! Podes amá-lo. Ele vai adivinhar e tu também, o amor que está na peleja de quem ama. Não fiques tão de frente, mas tão longe de quem gostas. No que chegares perto, talvez detestes e sejas detestado.

Amar é estar de costas. Gostar é estar de frente. Um ultrapassa a inimizade que vive junta. Outro vive da amizade fácil, mas que se se aproximar pode não ser amor. Por isso era tão fácil sentir.

Amar é apesar de. É através. É a despeito, mas é com. Amar é contra, mas perto e fundo. Mesmo de costas. É malgrado. É com ferida e cicatriz, mas íntegro.

Amar fundo é ter medo de virar de frente. Porque aí pode surgir, cristalina, a possibilidade de dar certo. E a entrega. Que é no fundo o que quem ama mais teme.

( Artur da Távola )



Escrito por Kyra às 22h51
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Fragmentos

Como eu queria gritar, colocar para fora todas as suas mentiras, os teus enganos.

Queria que vc pudesse ver a fera que habita em mim, caça e caçadora em um só corpo. Como é difícil dizer adeus ao sonho, vc só usa máscaras e o vejo lutar contra elas diariamente, mas inevitavelmente dia após dia vc perde esta guerra.

Eu fico impotente, não posso mais ajudá-lo, suas mentiras matam pouco a pouco o melhor de mim, me fazem cinica, é um veneno correndo em minhas veias.

Somente palavras, nada de atitudes. Tenho problemas com palavras e discursos sem que venham seguidos de atitudes concretas.

Mostra que me quer, me toma por inteiro. Vc se contenta com palavras, mas não sabe como é o meu toque, meu cheiro, não pode sentir meus contornos.

Vc perde, eu perco.

Vc quer imaginar, eu quero realizar.

Estou matando vc de dentro de mim todos os dias, cada vez que inventa um drama, para não acontecer, para não ter ido.

Sinto por nós dois, sinto a porta se abrindo para que eu me vá, e vc percebe mas não muda o seu script.

Eu não consigo mais fingir que acredito, não tenho mais tempo para que vc perceba que eu já vi o que existe por trás das máscaras que insiste em colocar.

Vc não precisa delas mas não sabe disso e eu não posso arrancá-las, sei que vc não resistiria ao choque.

Por isso vou deixá-lo apenas em minhas lembranças e vou me lançar nos braços da realidade.

Adeus meu amor, que foi sem nunca ter sido.



Escrito por Kyra às 14h08
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Continuação....

Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado.

Sempre consegui enxergar a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia. Porque toda mulher é linda.

Se não no todo, pelo menos em algum detalhe. E só saber olhar. Todas tem sua graça.

E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones de cafajestismo, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim.

Incautas não por serem ingênuas, mas por acreditarem....

Porque toda mulher acredita firmemente na possibilidade do homem ideal.

E esse é o seu único defeito."


Eu particularmente não acredito neste homem ideal, sem defeitos...Apenas acho que adoro estes eternos meninos, quando estão verdadeiramente apaixonados, são capazes das maiores loucuras e de uma sensibilidade sem tamanho.

Talvez por esconderem tanto esta sensibilidade, quando entram em contato com a emoção mais pura que é o amor, dão de 10X0 em nós mulheres, pela intensidade com que demonstram suas emoções.

Só gostaria que eles demonstrassem mais o que querem, não ligamos para beleza, corpo bonito, carros. O homem ideal é aquele que nos ama, que sabe ser companheiro, o homem ideal é aquele que está ao nosso lado, não pode estar a frente e nem atrás...somente do lado.
 



Escrito por Kyra às 22h23
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ÚNICO DEFEITO DA MULHER - Sérgio Gonçalves

" Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas:

mulheres de um lado, homens do outro. Não sei se hoje isso ainda ocorre.

Sou anti-social ao ponto de não freqüentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízo. Mas era assim que a coisa rolava naquele tempos.

Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto observando a paisagem.

Bom, rapidinho verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatômicas.

A fronteira era determinada pelos pontos de vista ,atitude e prioridades.

Explico: no "córner" masculino imperava o embate das comparações e disputas.

Meu carro é mais potente, minha TV é mais moderna, meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor,o meu time é mais forte, eu dou 3 por noite e outras cascatas típicas da macheza latina. .

Já no "córner" oposto, respirava- se outro ar.

 As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava- se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimônia que me deliciava.

 Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como fofoca. . Discordo. Destas reminiscências

infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil.

Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, freqüentando e levando bomba no be-a-ba da vida, as mulheres já chegam na metade do segundo grau.

Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática.

Ela brinca de casinha e aprende a dar um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha que  chama de filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma idéia muito clara do que vem a ser isso.

Em outras palavras, ela já chega sabendo.

E o que não sabe, intui.

Já com os homens a historia é outra.

Você já viu um menino dessa idade brincando de executivo?

Já ouviu falar de algum moleque fingindo ir ao banco pagar as contas?

Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do Imposto de Renda?

Não, nunca viram e nem verão.

Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.

O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos. Ai reside a maior diferença: O que para

as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia, é competição.

Então a fuga os acompanha o resto da vida, e não percebem quanto tempo perdem com

seus medos. Falo sem o menor pudor. Sou assim. Todo homem é assim.



Escrito por Kyra às 22h21
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Arriscando o coração

Um guerreiro da luz, antes de entrar num combate importante, pergunta a si mesmo: "Até que ponto desenvolvi minha habilidade?"

Ele sabe que as batalhas que travou no passado sempre terminaram por ensinar alguma coisa. Entretanto, muitos destes ensinamentos fizeram o guerreiro sofrer além do necessário. Em mais de uma vez, ele perdeu seu tempo, lutando por uma mentira.

Mas os vitoriosos não repetem o mesmo erro.

Um guerreiro não pode recusar a luta; mas sabe também que não deve arriscar sentimentos importantes em troca de recompensas que não estão à altura do seu amor.

Por isso, o guerreiro só arrisca seu coração por algo que vale a pena.


É isto que estou tentando descobrir, o que vale a pena, quem são as pessoas que valem a pena.

Tenho 37 anos, moro em São Paulo, sou separada, não tenho filhos, pisciana com ascendente em áries, sou franca demais, sensível demais, mas é uma sensibilidade que me faz forte, que me fez seguir em frente mesmo quando não tenho a menor idéia de onde vou chegar...rs, bem humorada(adoro rir e fazer rir).

Estou em um momento onde não tenho muita certeza de nada, só tenho meus sentimentos e princípios. Criei este blog com a intenção de quebrar esta barreira de silêncio em que me obriguei a ficar durante um bom tempo por ter perdido a fé em mim...me sinto renascendo. Preciso de amigos em quem eu possa confiar, que quando me olhem nos olhos, eu possa ver a verdade por mais rude que possa parecer.

Posso lidar com isso, mas não consigo lidar com meias verdades, não preciso destas delicadezas, isto empobrece o espirito e a qualidade dos relacionamentos. Quero rir muito, amar muito, quero me sentir leve.

Espero trocar idéias com pessoas evoluidas e que sejam do bem.

Bem vindos ao meu blog

 



Escrito por Kyra às 01h15
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BEM LÁ NO FUNDO...

Ele te deixou? Não esquenta, bem lá no fundo, ele te ama.
Ela te traiu com teu melhor amigo? Ah, no fundo, ela quer é chamar tua atenção.

Grrrrrrr. No fundo, a gente quer estrangular estas criaturas que não agem no raso, é ou não é?

Bem lá no fundo é onde, aparentemente, estão mergulhadas todas as razões verdadeiras que levam as pessoas a fazer isso ou aquilo. É lá no fundo que estão os amores, as invejas, o sentimento de culpa, a vontade de prejudicar ou de ajudar. Tudo no fundo, bem no fundinho. É preciso escafandro e um tubo de oxigênio para nadar até lá embaixo e trazer as intenções à tona.

Eu respeito quem não quer deixar tudo à mostra, quem gosta de fazer algum mistério para valorizar-se, quem prefere que as coisas sejam descobertas a seu tempo: é um estilo de comportamento, e não nego que tem seu charme. Pessoas misteriosas costumam aguçar nossa curiosidade e atração. Mas tudo tem um limite. Há uma hora em que é preciso revelar-se. Se o tempo passa e não há declaração e honestidade, então é porque não há nada lá no fundo. A escritora Inês Pedrosa, em seu poético e comovente livro Fazes-me Falta, diz exatamente isso, que este "bem-lá-no-fundo" é um truque de ilusionismo que a gente inventa para prosseguir no papel de vítima.

É difícil encarar a realidade dos fatos. Se estamos sendo maltratados e nada fazemos para reverter esta situação, é porque lá no fundo acreditamos que merecemos isso. Se estamos presos a uma relação destrutiva, é porque lá no fundo não acreditamos que possamos nos relacionar com outra pessoa e ter uma relação saudável. O "bem-lá-fundo" é um álibi, uma maneira de não precisar mudar as coisas.

Não sei de você, mas eu não gosto quando me dizem "lá no fundo, ele te quer bem". Algumas pessoas não conseguem externar seus sentimentos, é verdade. Mas até quando a gente consegue fingir que isso não importa? Eu agüento 5 minutos de suspense. Depois quero a vida às claras.
(Martha Medeiros)



Escrito por Kyra às 16h27
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Nunca sabemos ao certo quando deixamos de ser importantes
Ailin Aleixo - VIP- junho/2003
 
É triste perceber que quem tanto me importa não olha por mim, apenas
me vê.
 
Não altera em nada a sua lista de prioridades quando preciso de socorro,
atenção. Apenas (depois, sempre depois) desculpa-se. Diz que as coisas
estão complicadas. Está constantemente ocupado, atrapalhado.
 
Sempre se sai com ótimos motivos para não ter ido, feito, acompanhado. Conhece meus gostos, minhas neuras, o porquê do riso rasgado. Sabe o número do meu telefone, onde vivo, mas mora num outro universo, do qual não tenho o endereço, nem pertenço: é péssimo notar que sou pouco para quem é muito pra mim.
 
E não se trata de desdém, nem de rancor. É mais sutil e menos óbvio, por isso tão doído (sei que o carinho existe, mas anda tímido). Pode até me surpreender com telefonemas, e-mails, conversas à toa, mas não está presente nos momentos críticos de minha vida.
 
Torna-se incomunicável, desaparece. Não fica ao meu lado. Não pega o lenço para que eu possa continuar chorando, sem medo de julgamentos. Não traz da cozinha a garrafa da minha bebida preferida para comemorarmos. Não me abraça quando faltam as palavras, não me afaga quando elas não bastam.
 
Sei que aquela pessoa, tal qual a recordo existiu, só não sei em que ponto deixou de ser real para se tornar um holograma da minha mente.
 
Uma suspeita de surto: será que me enganei desse jeito?
 
Talvez não tenha me enganado, apenas o tempo nos tenha tornado diferentes demais e já não andemos na mesma direção. Talvez.
 
Sem Sentido
 
A vida acaba nos trazendo, inevitavelmente, amigos assim (que chamamos "amigos" por desconhecimento de termo mais adequado). Amores assim.
 
Pessoas que estiveram conosco, compartilharam e construíram nossa história, mas que sabe-se lá quando e por que, descompassaram.
 
Alguns até continuam presentes, mas jamais estiveram tão ausentes.
 
Outros fazem questão de dizer o quanto somos importantes, especiais, e eis um alerta que não ignoro: sempre desconfiei de quem fala "você pode contar comigo", ' Qualquer coisa me liga", "nunca vou te esquecer". Isso se mostra calmamente no dia-a-dia, não se legaliza numa promessa.
 
É preciso tempo, e é só com ele que saberei se essas palavras significam algo ou são mera formalidade. Me mostre que eu posso contar com você, não me diga isso.
 
Talvez percamos o sentido de existir na vida de algumas pessoas, por mais importantes que tenhamos sido(ou que supomos ter sido). Nossa permanência torna-se oca de significado. Desbota.
 
Graduamente, sumimos. E não há nada de errado: não dá pra exigir ser amado.
 
Errado é mantermos à nossa volta, atrelados a nós por compulsão ou necessidade de companhia, quem não tem mais nada a nos oferecer. Para quem oferecemos tão pouco.
 
Quantos sinais são necessários até compreendermos que já não nos importamos com alguém?


Escrito por Kyra às 16h06
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AMOR

Uma ligação feliz respeita normas, não mente nem fere o parceiro.

No CD Blue Bossa, da banda mineira Alarme Falso, os músicos fazem alusão a um casal que comemora a tranqüilidade do amor vivido: “Dia de sol, de céu azul/ brisa do mar, praia do sul/ eu e você a caminhar/ a festejar nosso amor (...)/ eu e você a namorar/ a praticar nosso amor.” Nessa música, nomeada Postal, é descrito o que chamam de amor poeta. Nele, parceiros têm paz e comemoram publicamente a boa convivência, porque conciliam liberdade e compromisso, criatividade e regra, sonho e realidade. Infelizmente, poucos são os privilegiados que conseguem construir uma relação dessas. Simbolicamente, vivem a luta entre o amor do poeta e o do rei, o que provoca estragos. Na postura de reis estão homens e mulheres que crêem viver na terra vale-tudo. Essa fantasia, somada à constatação de existirem leis fáceis de trapacear, faz com que criem regras próprias de conduta amorosa. Seu lema é mais ou menos “em nome do prazer posso qualquer coisa”. São pessoas que se colocam em situações em que fatalmente irão ferir a si e a outras que, na maioria das vezes, confiam tanto nelas. Exemplifico com absurdos: casais cujos parceiros têm um ou mais amantes, pessoas que se envolvem com cunhados ou que namoram um parceiro e seu filho. Concordo que uniões falidas, frustrantes ou ruins, não precisam ser toleradas. Devem ser enfrentadas, com separação ou melhora significativa na convivência. Mas buscar solução em relações perigosas, sem considerar as regras sociais e o afeto dos envolvidos, é arriscar-se. Toda a vivência afetiva vem acompanhada de um preço — não se mexe impunemente com a libido alheia. Por traz de tudo há seres lúcidos que sentem, pensam, agem e, em algum momento, devido à falta de limite do rei, captam a farsa e lhe tiram o controle. Nesse momento, abandonados e traídos reagem: depressões, suicídios, assassinatos, vexames na porta de casa, no trabalho, em festas. Não é uma regra. No entanto, contracargas ao amor egoísta dos reis existem e talvez venham com força incontrolável, com algum tipo de castigo. Além de possíveis reações vulcânicas dos envolvidos, por incrível que pareça, fatos surpreendentes não raro ocorrem antes ou no momento da crise: súbita perda de emprego, processos judiciais inesperados, cancelamento, sem justificativa, de regalias bancárias — situações que complicam a vida do rei. Acredito não serem coincidências. Sem o saber, sinalizam fragilidade, decadência e confusão emocional, captados pela maioria das pessoas, mesmo inconscientemente. Penso que isso ocorre porque se pode esconder uma farsa, mas não totalmente. Uma parte escapa. É como carregar água nas mãos. O resultado é que, intolerante com quem desrespeita leis, a sociedade interfere na engrenagem da vida dos reis, parando-a. Impõe limite e os traz à realidade, com grande sofrimento. Vale mencionar outra faixa de música da banda, Amigos Novos e Antigos, cujos refrões ilustram os valores defendidos pelos parceiros poetas: “As frases e as manhãs são espontâneas/ levantam do escuro e ninguém pode evitar/ eu tento apenas mostrar, cantando/ o lado oculto de meu coração.” São homens e mulheres que têm relações às claras. Farsas e mentiras não são suportadas. Gostam da liberdade socialmente consentida, mas que não machuque o outro. Submetem os sentidos à lucidez, integram presente e futuro, avaliam fatos e possíveis conseqüências. Dão vazão ao amor e às fantasias, mas conscientes de que têm preço. Por isso, escolhem o melhor. Poetas sabem que amar é um desafio mais tranqüilo do que lidar com ódio, decepção, culpa ou senso de abandono. Sua vida amorosa tem altos e baixos, mas é pública e ensolarada. Reis e rainhas, ao contrário, apenas sobrevivem, e mal.

* Luciana Diniz (32), escritora e psicóloga em Belo Horizonte, MG. Publicou A Dois — O Amor em Harmonia, crônicas de auto-ajuda (Ed. Leitura).



Escrito por Kyra às 16h05
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